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RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

Apenas 7% dos consumidores brasileiros consideram aspectos de responsabilidade socioambiental das empresas na hora de escolher um produto, revela a pesquisa Monitor de Responsabilidade Social 2009, da Market Analysis, que será divulgada na próxima semana em São Paulo. 

O percentual se refere aos consumidores que exercem sistematicamente o que se chama "compra sustentável": punindo (deixando de comprar ou falando mal) ou premiando (comprando preferencialmente ou falando bem) as empresas a partir de sua atuação socioambiental.  A participação de quem somente premia as empresas soma cerca de 15% dos consumidores, enquanto a de quem pune representa 8% do total. 

"Esse patamar oscilou muito pouco nos últimos anos, o que nos permite fazer duas avaliações distintas.  Se de um lado continuamos muito aquém da média de países como Estados Unidos, Inglaterra ou Alemanha no quesito engajamento do consumidor, de outro podemos afirmar que isso não representou um modismo passageiro por aqui, sobretudo para os consumidores que compram preferencialmente de empresas responsáveis", afirma o diretor da Market Analysis, Fabian Echegaray. 

A onda da publicidade em torno da sustentabilidade, ainda que não tenha se traduzido em mais ações práticas na hora da compra, aumentou o nível de conhecimento do consumidor brasileiro sobre o tema.  E também o de desconfiança.  Segundo a pesquisa da Market Analysis, a diferença entre o que os consumidores esperam que as empresas façam e o que acham que elas realmente fazem alcançou 87 pontos percentuais no Brasil.  Um recorde histórico, inclusive na comparação internacional, que engloba outros 31 países.

"Quando um tema desses ganha a exposição pública que vimos nos últimos anos, é natural que os consumidores se tornem mais críticos depois de um certo deslumbramento inicial.  Esses ciclos fazem parte, no entanto, da consolidação desse conceito na sociedade, assim como ocorreu em outros países", diz o consultor Ricardo Voltolini, da Idéia Sustentável. 

Segundo os especialistas, o fraco engajamento do consumidor brasileiro tem diversos motivos.  Além dos conhecidos, como o baixo nível de escolaridade média ou a preferência pelo fator preço, um dos mais citados é a ausência de informações a respeito das características socioambientais do próprio produto nas embalagens e gôndolas de supermercado.  De fato, procurar informações sobre o processo industrial de um produto, como a emissão de carbono ou o consumo de energia envolvido na produção, é uma missão quase impossível para o consumidor. 

"Ao mesmo tempo em que vemos inúmeras propagandas a respeito do assunto, temos pouquíssimas informações que esclareçam esses aspectos para o consumidor final, para que ele possa canalizar sua preocupação socioambiental nos hábitos de compra.  Hoje essas informações se restringem à madeira certificada, ao papel reciclado e ao consumo eficiente de energia de alguns eletroeletrônicos", aponta Echegaray.

Mas, se o consumidor brasileiro ainda não considera o aspecto socioambiental ao comprar ou não um produto, qual é o impulso para que as empresas passem a oferecer esse tipo de informação?  Uma das respostas pode vir do setor varejista, que começa a se movimentar com o objetivo de ampliar esse leque de informações ao consumidor, inclusive como fator de ganho de competitividade para suas marcas próprias. 

Via FGV Notícias.


Escrito por Brasnutri às 11h34 [ envie esta mensagem ]



O IMPACTO DO AQUECIMENTO GLOBAL NO BRASIL

Por Angela Pacheco Pimenta

Financiado pelo governo britânico, o estudo "Economia do Clima" - www.economiadoclima.org.br -, o mais ambicioso trabalho sobre o impacto do aquecimento global no Brasil, deve ser publicado nos próximos meses - às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre o clima, que acontece em Copenhague, em dezembro.

Uma equipe chefiada pelo economista Jacques Marcovitch, da USP, trabalha na consolidação dos resultados sobre temas como agricultura, desmatamento, biodiversidade, recursos hídricos e migração.

Mas antes de ser publicado, o estudo brasileiro será remetido à Inglaterra, onde vai passar pelo crivo da equipe do economista Nicholas Stern. Stern é autor do célebre relatório que leva o seu nome, também encomendado pelo governo britânico e publicado em 2006.

Alarmante, o "Relatório Stern" sustenta que se nada for feito para conter a emissão de gases estufa, o PIB global poderá encolher até 20% por volta do ano 2050.

Segundo Stern, para evitar catástrofes como a forte subida do nível dos mares, secas, furacões, inundações e epidemias - que por sua vez criariam milhões de refugiados climáticos - o mundo deveria investir anualmente 1 trilhão de dólares, cerca de 2% do PIB global.

O dinheiro seria gasto em pesquisa e desenvolvimento de matrizes energéticas limpas, tais como  energia eólica, solar e novas gerações de biocombustíveis.

De volta ao Brasil, além de consumir milhares de libras esterlinas - a Embaixada Britânica não revela o preço - "Economia do Clima" conta com a contribuição da elite dos cientistas e economistas brasileiros, gente como o físico Carlos Nobre e o economista Luciano Coutinho, presidente do BNDES.

Iniciado em 2007, o trabalho já deveria ter sido publicado no último mês de junho. Mas para o governo britânico, que tem tentado convencer o Brasil a aceitar metas obrigatórias na redução da emissão de gases estufa, o atraso pode virar uma ferramenta publicitária oportuna.

Ao ser publicado, o estudo  renderá manchetes no Brasil e no mundo, pressionando o governo Lula a adotar uma posição mais agressiva em Copenhague.

Mas tudo indica que a posição brasileira será mais conservadora. Há alguns dias, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse ao seu colega britânico, Ed Miliband, que o Brasil vai trabalhar para cumprir metas voluntárias de redução do desmatamento da Amazônia.

No último mês de dezembro, o governo lançou um plano que prevê a redução do desmatamento da floresta em  40% até 2010. A partir do ano que vem, a cada quatro anos, o objetivo é reduzir o desmatamento em 30%, até zerá-lo. Hoje, o desmatamento da Amazônia é responsável por 70% das emissões de todo o país. 

Trocando em miúdos, quando se trata do Brasil, a Amazônia é o tema central no embate diplomático sobre o clima. De agora em diante, se não quiser se arriscar a virar alvo de uma onda verde protecionista de boicote a produtos "made in Brazil", o país terá que fazer a lição de casa contra o desmatamento.


Escrito por Brasnutri às 16h55 [ envie esta mensagem ]




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